domingo, 3 de maio de 2009

Processo Histórico

O Movimento Cognitivo na Psicologia

Durante décadas, os manuais introdutórios de psicologia não discutiam nenhuma concepção da mente humana. Tinha-se a impressão de que a psicologia “perdera a consciência” para sempre, banido a vontade, o sentimento, a imagem, a mente e a consciência, que nunca eram mencionados exceto em tom sarcástico. De súbito, ou assim pareceu, embora a coisa viesse sendo construída há algum tempo, a psicologia começou a recuperar a consciência.

Seguiram-se revisões nos manuais introdutórios definindo a psicologia como a ciência “do comportamento e dos processos mentais”, em vez de apenas do comportamento, e como a ciência que “estuda sistematicamente e tenta explicar o comportamento observável e sua relação com os processos mentais não manifestos que ocorrem no interior do organismo” (HILGARD, ATKINSON e ATKINSON, 1975, p. 12; KAGAN e HAVEMANN, 1972, p. 9 apud SCHULTZ; SCHULTZ, 1981). Tais definições mostram o ponto até o qual a psicologia contemporânea ultrapassou os desejos e projetos de Watson e Skinner.




Influências Antecedentes sobre a Psicologia Cognitiva

Como todos os movimentos em psicologia, a revolução cognitiva não eclodiu da noite para o dia. Muitas de suas características básicas tinham sido antecipadas pelo trabalho de outros. Com efeito, sugeriu-se que “a psicologia cognitiva é tanto a mais nova como a mais velha tendência na história do assunto” (HEARNSHAW, 1987, p. 272 apud SCHULTZ; SCHULTZ, 1981). Isso significa que o interesse pela consciência existia nos primeiros dias da psicologia, antes mesmo de ela se tornar uma ciência formal. Os escritos de Platão e Aristóteles se ocupavam das faculdades e processos cognitivos, o mesmo ocorrendo com as teorias dos empiristas e associacionistas britânicos.

Considerou-se Wilhelm Wundt precursor da psicologia cognitiva devido à sua ênfase no aspecto construtivo ou criativo da mente. O Comportamentalismo produziu uma mudança fundamental, expulsando a consciência do campo por quase cinqüenta anos; porém, o retorno à consciência, o início da psicologia cognitiva, pode remontar aos anos 50, embora sinais do ressurgimento da mente já fossem perceptíveis desde a década de 30. Um dos primeiros proponentes foi Guthrie, que na maior parte da sua carreira foi um ardoroso comportamentalista. Perto do final da vida, contudo, ele veio a deplorar o modelo mecanicista e afirmou que nem sempre é possível reduzir os estímulos a termos físicos. Ele sugeriu que temos de descrever os estímulos de que a psicologia se ocupa em termos perceptivos ou cognitivos, para que tenham sentido para o organismo que responde. Os psicólogos não podem tratar do sentido apenas em termos comportamentalistas, por ser ele um processo mental ou consciente.

O comportamentalismo intencional de Tolman (que é uma abordagem molar) foi outro precursor do movimento cognitivo. Sua abordagem reconhecia a importância de variáveis cognitivas, tendo contribuído para o declínio da abordagem estímulo-resposta. Tolman propôs a noção de mapas cognitivos, atribuiu propósito aos animais e destacou as variáveis intervenientes como uma maneira de definir operacionalmente estados interiores não suscetíveis de observação.
Rudolf Carnap, um filósofo positivista, conclamou um retorno à introspecção. Em 1956, Carnap observou que “a consciência que a pessoa tem do seu próprio estado de imaginação, de sentimento, etc., tem de ser reconhecida como uma espécie de observação, em princípio não distinta da observação externa, e, portanto como uma fonte de legitima conhecimento” (KOCK, 1964, p. 22 apud SCHULTZ; SCHULTZ, 1981).

Outro antecedente do movimento cognitivo é o psicólogo suíço Jean Piaget (1896-1980), que produziu importantes obras acerca do desenvolvimento infantil, não em termos de estágios psicossexuais ou psicossociais (propostos por Freud e Erikson), mas em termos de estágios cognitivos, sendo publicadas nas décadas de 20 e 30. Por se concentrar no desenvolvimento infantil, sua obra ajudou a ampliar a gama de comportamentos a que a psicologia em ascensão poderia ser aplicada.

Quando deparamos com uma mudança importante na evolução de uma ciência, sabemos que ela reflete mudanças já em andamento no Zeitgeist em que funciona. Como vimos, uma ciência, assim como uma espécie viva, se adapta a novas exigências e condições do seu ambiente. (SCHULTZ; SCHULTZ, 1981)



A Fundação da Psicologia Cognitiva.

Observamos que a fundação da psicologia cognitiva não ocorreu da noite para o dia nem pode ser atribuída à força e capacidade persuasiva de um único fundador. O movimento da psicologia cognitiva não pode reivindicar para si um fundador solitário, talvez, em parte (mais uma vez, tal como o funcionalismo), porque nenhum dos que trabalhavam na área tivesse a ambição pessoal de liderar um novo movimento. Seu único interesse era avançar com o trabalho de redefinir a psicologia.

Podem-se identificar duas pessoas que, embora não tenham sido fundadoras no sentido formal do termo, de fato contribuíram com trabalhos seminais na forma de um importante centro de pesquisas e um livro excelente, considerados marcos no desenvolvimento da nova psicologia cognitiva. Elas são George Miller, afirmava que “as semelhanças entre as operações dos computadores e da mente humana o impressionaram, e o seu interesse começou a se transferir para uma psicologia de orientação mais cognitiva” e Ulric Neisser, que publicou em 1967, Cognitive Psychology (psicologia cognitiva), um livro que “estabeleceu e batizou o campo”, ajudando a definir uma nova psicologia, afastá-la do comportamentalismo e aproximá-la da cognição sendo a cognição com referência aos processos “mediante os quais a entrada de dados sensoriais é transformada, reduzida, elaborada, armazenada, recuperada e usada... a cognição está envolvida em tudo aquilo que um ser humano pode fazer” (NEISSER, 1967, p.4 apud SCHULTZ; SCHULTZ, 1981). Assim, a psicologia cognitiva se vincula com a sensação, a
percepção, a formação de imagens, a retenção, a recordação, a solução de problemas, o pensamento e todas as outras atividades mentais. (SCHULTZ; SCHULTZ, 1981).

Posted by - Tasia - @ 15:58

2 Comments

Blogger apx said...

Parabéns ótimo olhar sobre a Psi. Cog. tenho que fazer um seminario sobre esse tema e esse post me ajudou muito na minha direção histórica ;D
obrigada, apx8*

26 de maio de 2011 20:13  

Blogger Maria Clara Rocha said...

muito legal

14 de setembro de 2015 12:05  

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Trabalho apresentado à UNIJORGE como requisito parcial para avaliação da disciplina Práticas Investigativas Interdisciplinares do curso de Psicologia 2009.1
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